Saiba o que é fissura anal e quais são os sintomas da doença
20 de abril de 2020

Pessoas que sofrem com constipação ou, ao contrário, têm casos recorrentes de diarreia, podem ter o revestimento de mucosa do canal do ânus danificado com o tempo. Dentre os problemas mais recorrentes, destaca-se a fissura anal, cujos sintomas podem variar desde dor intensa e persistente, até a presença de sangue nas fezes.

Mas afinal, o que é fissura anal? Trata-se de uma pequena lesão no revestimento do canal anal. Apesar de comum, seus sintomas costumam ser confundidos com outras condições, como hemorroidas. Isso dificulta, o diagnóstico da doença e pode retardar o início do tratamento adequado que é completamente diferente do tratamento clínico para uma crise de hemorroidas.

Neste artigo, você vai conhecer mais sobre essa condição. Saberá quais são os sintomas da fissura anal, suas causas e fatores de risco. Verá também como é feito o diagnóstico e a melhor maneira de tratar o problema. Boa leitura!

O que é fissura anal?

Trata-se de um pequeno corte, ruptura ou úlcera no revestimento mucoso do ânus, por onde as fezes passam ao serem evacuadas. É muito semelhante ao revestimento interno da boca, por exemplo. Elas podem surgir em qualquer faixa etária e ocorrem na mesma proporção entre homens e mulheres.

Geralmente, a fissura anal é causada por uma ferida que se forma no canal anal por diversas causas possíveis, e acaba persistindo e se aprofundando quando surgem em algumas regiões específicas do ânus que apresentam, por questões anatômicas, maior risco para sua evolução. Quando o mesmo fato ocorre em outras regiões do ânus menos suscetíveis a essa persistência, essas feridas simplesmente cicatrizam naturalmente em pouco tempo e sem necessidade de tratamento específico. 

As causas mais frequentes da formação dessas feridas é a evacuação de fezes endurecidas ou volumosas ou, ainda, quando a pessoa vai com muita frequência ao banheiro pois nesses casos o atrito apesar de ser menor, é mais frequente. O uso exagerado de papel higiênico também pode ser responsável pela formação dessas feridas, assim como a prática de alguns esporte e do sexo anal receptivo também.

Há pessoas que possuem o esfíncter anal mais "apertado" e são mais propensos a desenvolver a doença. Isso porque naturalmente já possuem um fator que pode atrasar o processo de cicatrização normal desta região.
Há outras causas mais raras, como:
  • Doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa;
  • Infecções anais;
  • Doenças sexualmente transmissíveis, como herpes, sífilis e cancro mole;
  • Câncer do canal do ânus.

Quais são os fatores de risco?

Sabendo das causas da fissura anal, é possível determinar alguns fatores de risco mais comuns. Dentre eles, destaca-se a prisão de ventre, que faz com que as fezes fiquem mais endurecidas. O sexo anal também pode levar à laceração, assim como o processo durante o parto normal.

Outro fator muito presente é a Doença de Crohn. Ela gera uma inflamação crônica no trato intestinal, o que pode tornar o revestimento do canal do ânus mais vulnerável.

O pós-operatório de cirurgias da região anal, como as realizadas no tratamento de hemorroidas, contribui para o aparecimento do problema. Isso porque a cicatrização da região operada pode não ocorrer de forma completa ocasião então a persistência de uma fissura anal no lugar.

Principais sintomas da fissura anal

O sinal mais comum da doença é a dor aguda local durante mas principalmente após a evacuação. Ela pode durar alguns minutos ou horas e, então, melhorar até a próxima ida ao banheiro. Com o tempo, o paciente começa a evitar evacuar, o que pode endurecer ainda mais a fezes e agravar ainda mais o problema.

Essa dor pode vir acompanhada de sangue misturado nas fezes ou percebido apenas no papel higiênico. Geralmente, isso ocorre quando a doença se encontra na fase aguda.

Outros sintomas da fissura anal são:
  • Coceira ou inchaço local;
  • Dor durante as evacuações;
  • Pequeno nódulo na pele próxima da fissura (plicomas).
Outra manifestação possível é a ocorrência de infecção no local, podendo levar a abscesso anal.
Como os sintomas da fissura anal são parecidos com os da hemorroida, é essencial procurar um médico quando há existência principalmente da dor no local. Desta forma, ele pode realizar o diagnóstico preciso e indicar a melhor terapia.

Como é feito o diagnóstico da doença?

O diagnóstico da fissura anal é basicamente clínico. No caso, é preciso procurar um médico proctologista que avaliará o histórico do paciente e também realizará um exame físico. Este exame consiste em afastar as nádegas para visualização plena no ânus. Não há qualquer tipo de toque, por conta da dor.

Em alguns casos, o paciente poderá ser submetido posteriormente a um exame chamado de retossigmoidoscopia. Seu objetivo é afastar a presença de outras afecções concomitantes mas raramente é necessário.

Como é o tratamento da fissura anal?

A doença pode ser tratada de duas formas e a escolha entre elas varia conforme o estágio em que a doença se encontra, o nível dos seus sintomas, sexo do paciente e idade.

Os tratamentos possíveis são:

1. Não-cirúrgico

Consiste em minimizar os desconfortos causados pela fissura anal, evitar que piorem e promover as condições necessárias para a sua cicatrização normal. As medidas mais comuns são:
  • Adotar uma dieta rica em fibras, para tornar as fezes mais macias;
  • Aumentar a ingestão de água;
  • Fazer banhos de assento durante 10 a 20 minutos quantas vezes por dia for necessário. Isto ajuda a acalmar a área afetada e relaxar a musculatura do esfíncter anal aumentando assim as chances de cicatrização;
  • Anestésicos tópicos, como lidocaína, para alívio da dor;
  • Pomadas ou cremes manipulados para promover o maior relaxamento da musculatura do ânus, favorecendo assim também o processo de cicatrização normal.
A alimentação é essencial para prevenir novas ocorrências do problema, após ser curado. Logo, a dieta deve ser seguida à risca, para manter as fezes em uma consistência que não cause a lesão.

2. Cirúrgico

A maioria das fissuras anais não necessita de cirurgia. Porém, quando as demais medidas não surtem efeito e os sintomas são muito intensos, esse tratamento pode se fazer necessário.

O objetivo do procedimento cirúrgico é a remoção da fissura para favorecer uma cicatrização plena. Nos casos em que houver ainda o aumento da pressão do músculo do ânus, pode ser necessário complementar a cirurgia com o procedimento conhecido como esfincterotomia anal interna cujo objetivo é diminuir discretamente o poder de contração do esfíncter (que se encontra além do normal) e, com isso, favorecer a cicatrização adequada da ferida ao melhorar a chegada de sangue a essa região. Todos os procedimentos necessários são realizados durante o mesmo procedimento cirúrgico sem ser necessárias novas operações para complementações, geralmente.

Outro método possível é a injeção de toxina botulínica, que também age na contração do esfíncter anal. Estima-se que o Botox está associado à cicatrização de fissuras anais crônicas em 50% a 80% dos casos. No entanto, seu uso ainda não é uniforme pois como os pacientes são muito diferentes entre si, não há consenso em relação às doses utilizadas e localização de aplicação. Os resultados duram poucas semanas e não são livres de complicações como abscessos anais, por exemplo.

Fique atento aos sintomas da fissura anal

A fissura anal é um problema comum que pode causar dor, sangramento e dificuldade para defecar. Logo, aos primeiros indícios do problema, é importante procurar ajuda médica.

O diagnóstico da doença é simples e precisa ser realizado antes dela se tornar crônica, aumentando com isso as chances de sucesso com o tratamento clínico exclusivo e diminuindo portanto a necessidade de cirurgia para a resolução definitiva do problema.

Desta forma, procure um proctologista assim que reparar alguns dos sintomas da fissura anal. Além disso, adote desde já uma alimentação rica em fibras e aumente a ingestão de água. Desta forma, você estará melhorando os processos intestinais e, consequentemente, sua digestão.

Continue no nosso blog e saiba tudo sobre o aparelho digestivo!

Artigo escrito por

Dr. Alexandre Bertoncini

Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia


O Dr. Alexandre Bertoncini é cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Possui Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP e é pesquisador com foco em oncologia e endometriose intestinal. 

Agende uma consulta

Confira mais artigos

azia constante
Por Dr. Alexandre Bertoncini 30 de abril de 2026
Azia constante pode ser sinal de problemas digestivos mais sérios. Descubra as causas, sintomas e quando buscar ajuda médica para aliviar esse desconforto.
Cirurgia robótica ou laparoscópica
Por Dr. Alexandre Bertoncini 23 de abril de 2026
Entenda as diferenças entre cirurgia robótica e laparoscópica no aparelho digestivo. Veja indicações, vantagens e como cada técnica pode beneficiar o paciente.
Por Dr. Alexandre B. Bertoncini 26 de fevereiro de 2026
Descubra como a cirurgia endoscópica transanal TAMIS/TEM se destaca em coloproctologia, suas indicações, vantagens e diferenciais técnicos.