Entenda como é o tratamento para Endometriose Intestinal
2 de dezembro de 2019

A endometriose intestinal acomete muitas mulheres e assusta devido aos sintomas de dor e infertilidade que gera. Entretanto, existe tratamento para a endometriose intestinal. 

É importante diagnosticá-la da maneira correta para procurar a melhor opção de tratamento.

O quadro se trata de uma disfunção devido ao deslocamento do tecido endométrio, que reveste o útero em sua parte interna, para a região ao redor do intestino, causando dores e alterações de funcionamento no órgão atingido.

Ao ser envolvido por esse tecido endometrial, o intestino passa a ser sobrecarregado em diferentes graus. Para isso, existem diferentes tratamentos de acordo com a intensidade do quadro.

Sintomas da endometriose intestinal

Alguns dos sintomas mais comuns são: a alteração do funcionamento intestinal que pode ser caracterizada pela prisão de ventre – quando a paciente não consegue evacuar por muitos dias.

O sintoma contrário também pode caracterizar o quadro de endometriose intestinal, ou seja, quando há diarreia.

Esses dois comportamentos podem aparecer intercalados, agravados principalmente no período menstrual da mulher e podem estar acrescidos de sangramentos durante a evacuação. Os sangramentos podem ser intensificados quando a mulher está perto do ou durante o período menstrual.

Por ser uma doença causada por uma disfunção no tecido uterino, esse é o motivo pelo qual os sintomas aparecem durante a menstruação com maior intensidade.

Manifestação de um tipo específico de endometriose intestinal – A endometriose retrocervical e do septo retovaginal

O quadro mais intenso e que exige tratamento mais específico demandando uma equipe cirúrgica composta por diversos especialistas como o ginecologista junto com o coloproctologista, é o de endometriose profunda intestinal. Principalmente quando o colo uterino e a membrana que fica sobre os órgãos ginecológicos e intestinal são atingidos pelas lesões. Essa manifestação mais grave é também menos frequente do que a lesão acometendo o reto apenas, ocorrendo em cerca de 12% das mulheres com endometriose intestinal, chamada de endometriose do septo retovaginal.

A endometriose é chamada de retrocervical quando há extensão da área que é atingida pelas lesões atrás do útero e os nódulos gerados prejudicam outros órgãos, como a bexiga, partes do útero, ligamentos pélvicos, a região do reto, do cólon sigmoide e a área denominada fundo da vagina. Mas nem sempre a lesão retrocervical invade obrigatoriamente o intestino ou órgãos urinários, podendo ocorrer de forma isolada nos órgãos ginecológicos e ligamentos pélvicos.

O diagnóstico

O diagnóstico acontece com base nos sintomas acima citados, bastante sugestivos do quadro de alteração do tecido endometrial, o que leva à pesquisa específica através de exames especializados como a ressonância de pelve e o ultrassom transvaginal com preparo intestinal.

Os tratamentos variam de acordo com o tamanho da região que foi acometida pelo tecido, assim como a quantidade de tecido espalhado por regiões indevidas.

Alguns casos podem ser tratados com remédios hormonais ou sistemas de raspagem menos invasivos. Outros casos demandam cirurgia, como é o caso da endometriose intestinal profunda explicada acima.

O tratamento para endometriose intestinal

O procedimento de cirurgia é complexo, entretanto, o mais adequado quando se trata de uma endometriose profunda.

O nome dado à forma com a qual realiza-se o processo cirúrgico é laparoscopia. Ele consiste na retirada do excesso de tecido presente no intestino e de todas as outras áreas acometidas por endometriose também, e pode ainda exigir uma ressecção intestinal. A ressecção é a retirada de um pedaço do intestino comprometido pelo tecido endométrio espalhado. Pode ser do reto, de partes do intestino grosso e intestino delgado e até o apêndice cecal.

A cirurgia deve ser acompanhada por um médico especialista em cirurgia gastrointestinal. Ele irá atuar na retirada do tecido na região do intestino.
O processo é eficaz quando se fala em eliminar as lesões causadas. Porém, é um processo longo, complexo e que exige a presença de diferentes profissionais na equipe.

Como funciona a cirurgia

O processo cirúrgico de laparoscopia é feito por meio de pequenas incisões no abdômen da paciente. Nesses buraquinhos serão introduzidos instrumentos capazes de remover o tecido endometrial em excesso.

O método é chamado videolaparoscopia e conta com equipamentos específicos que trabalham, por exemplo, na remoção desse tecido prejudicial. Com esse método, o médico consegue visualizar e operar os órgãos comprometidos.

Para poder enxergar dentro da cavidade abdominal, o médico injeta gás carbônico no abdome para que assim tenha espaço para poder trabalhar.

A cirurgia envolve alguns riscos, os quais dependem do grau da doença. Quanto maior a região atingida pelo tecido, mais trabalhosa é a cirurgia e maiores são as chances de algum efeito colateral, porém esses são raros e dificilmente são permanentes.

A endometriose pode ser um fator de impedimento para mulheres que querem engravidar, por exemplo, pois o tecido prejudica o funcionamento do útero e das tubas ou trompas uterinas.

Sendo assim, o tratamento pode ser eficiente para pacientes nessa situação. Cada caso de infertilidade associado a endometriose profunda deve ser avaliado individualmente. 

As pacientes que irão realizar laparoscopia podem ser internadas no mesmo dia, ou um dia antes do procedimento. É aplicada anestesia geral para a realização do processo cirúrgico.

O processo de recuperação

O tempo médio de recuperação depende de cada paciente, mas varia dentro do período de uma semana, para melhora das dores, e cerca de um mês para recuperação completa. A alta hospitalar é dada poucos dias após a cirurgia.

A recuperação precisa ser acompanhada e a paciente e o médico devem estar atentos às reações do corpo da mulher ao procedimento. Alguns comportamentos são recomendados nesse período.

É importante que a paciente faça um certo repouso. Não é preciso ficar deitada durante todo o dia, mas é essencial evitar o excesso de atividades. Basicamente é possível levar uma vida normal logo após a saída do hospital mas sem excessos.

Da mesma maneira, as relações sexuais podem ser evitadas de acordo com a recomendação do ginecologista que participa da equipe e varia de paciente para paciente.

A alimentação deve ser equilibrada e leve, acompanhada pela ingestão de cerca de dois litros de água por dia.

Vida após o tratamento para endometriose

A doença é conhecida por retornar em algumas pacientes, mesmo após o processo cirúrgico. Apesar de isso ocorrer em uma minoria, cerca de 10% dos casos em geral, quando ela ocorre não é na mesma intensidade e geralmente não precisa de novos tratamentos cirúrgicos desde que a primeira cirurgia tenha sido uma cirurgia completa. A cirurgia tem maior chance de ser completa quando realizada por uma equipe especializada no tratamento cirúrgico da endometriose profunda.

Portanto, é essencial que a mulher continue em acompanhamento constante com seu médico, a fim de identificar qualquer possibilidade de retorno dos sintomas o quanto antes.

Esses são alguns passos do tratamento para endometriose. Para saber mais sobre a endometriose e seus procedimentos, continue acompanhando os artigos do blog.

Artigo escrito por

Dr. Alexandre Bertoncini

Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia


O Dr. Alexandre Bertoncini é cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Possui Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP e é pesquisador com foco em oncologia e endometriose intestinal. 

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