Saiba como é feita a cirurgia de hérnia inguinal
2 de dezembro de 2019

As complicações da hérnia inguinal podem matar, se não tratadas adequadamente e no tempo correto! O diagnóstico precoce é essencial.

A cirurgia de hérnia inguinal é indicada para todos os pacientes nos quais a hérnia é diagnosticada. A resolução do problema é feita apenas com a cirurgia, e se não existem contraindicações, paciente e médico podem marcar uma data para realizar o procedimento.

Muitas pessoas têm dúvidas quanto a essa cirurgia, perguntam-se se é bastante invasiva ou se vão precisar se manter longe das atividades rotineiras por muito tempo. A verdade é que todas essas dúvidas podem ser esclarecidas em consultório, junto ao seu médico.

Mas se você ainda não se sente seguro quanto à cirurgia de hérnia inguinal, que tal conhecer mais sobre o procedimento e, assim, ir com dúvidas bastante específicas na próxima visita ao consultório?

Saiba agora como é feita a cirurgia de hérnia inguinal:

Como é feito o tratamento

Só existe um tratamento para a hérnia inguinal: a cirurgia. Se identificado que o paciente não tem nenhum outro problema de saúde e que o procedimento não irá lhe trazer riscos, o médico poderá optar pela técnica convencional (cirurgia aberta) ou pela cirurgia minimamente invasiva.

Isso depende muito do tamanho da hérnia e dos riscos que o procedimento pode trazer ao paciente. Cirurgias emergenciais, geralmente, são feitas com a técnica tradicional, principalmente se há o risco de estrangulamento da hérnia, mas isso não é obrigatório.

Técnica Convencional

Após aplicação de anestesia (pode ser raquidiana com sedação ou geral – em alguns casos selecionados até mesmo anestesia local!), são feitas incisões que permitem ao cirurgião atingir a região inguinal. O corte tem, em média, dez centímetros e é feito na virilha, sobre a região da hérnia. A hérnia é localizada e empurrada de volta ao lugar, já que se trata, na grande maioria dos casos, de parte do intestino que acabou se deslocando.

Em adultos, além de devolver o conteúdo abdominal ao seu local, é necessário também a colocação de uma tela de proteção, que irá reforçar o abdômen e prevenir o reaparecimento da hérnia. A tela é feita de polipropileno geralmente e tem baixa taxa de rejeição pelo corpo.

Depois de colocar a tela e reforçar a região abdominal, o corte feito na virilha é fechado com pontos. Em casos bilaterais, o procedimento é então repetido da mesma forma do outro lado.

Cirurgia minimamente invasiva

Esse tipo de cirurgia pode oferecer diversos benefícios quando comparada ao procedimento convencional da cirurgia de hérnia inguinal. É feita obrigatoriamente com anestesia geral. Saiba como a cirurgia minimamente invasiva está revolucionando a medicina.

No início da cirurgia, antes de qualquer outra incisão, é injetado gás carbônico na cavidade abdominal para que se crie espaço para que a cirurgia seja realizada com segurança. Em seguida três pequenas incisões, uma de um centímetro e meio e outras duas de meio centímetro, são feitas na altura do umbigo.

Em uma dessas incisões, é colocada uma câmera cirúrgica, para que os médicos possam realizar o procedimento por dentro do abdômen, assistindo a todo o procedimento através de monitores na sala de cirurgia.

Nas outras incisões serão colocados os instrumentos necessários para tratar a hérnia e fortalecer a parede abdominal. Pinças, tesouras e a própria tela de proteção são utilizadas nessa etapa da cirurgia.

Diferentemente da cirurgia tradicional, se houver hérnia inguinal dos dois lados, não será necessário realizar novas incisões. O médico consegue devolver o conteúdo abdominal ao seu lugar, através dos três furos feitos anteriormente, em qualquer dos lados.

A técnica geralmente é realizada por laparoscopia apenas mas pode-se também utilizar o robô como ferramenta na laparoscopia para realizar essa mesma cirurgia, embora os resultados para o paciente sejam semelhantes, sem haver um benefício claro do uso do robô sobre a laparoscopia sem o uso do robô.

Pós-operatório da cirurgia de hérnia inguinal

O pós-operatório é rápido e o paciente pode retornar em breve às atividades rotineiras. Em média, a internação após a cirurgia de hérnia inguinal dura de 12h a 24h. Em até 15 dias, é possível retornar ao trabalho e seguir sua rotina diária normalmente. Após a cirurgia minimamente invasiva, esse tempo costuma ser inclusive menor, já sendo possível o paciente sentir-se completamente apto para trabalhar na maioria das profissões em poucos dias. Só não é aconselhável levantar peso ou fazer grandes esforços físicos por em geral até 30 dias da cirurgia.

Nenhuma dieta especial é necessária, a não ser no dia após deixar o hospital, em que a alimentação leve é indicada, já que os efeitos da anestesia ainda podem ser sentidos e o paciente pode ainda sentir náuseas ou apresentar vômitos, muito embora seja muito raro que isso ocorra. Se persistirem por mais do que um dia, o ideal é voltar ao hospital ou contatar seu médico.

Mesmo na cirurgia minimamente invasiva, vão existir pontos, que devem ser cuidados até a data de retirada ou absorção caso tenha sido utilizado fios que não precisem ser removidos. Em média, em uma semana e meia a duas, você deverá retornar ao médico para removê-los e para ser avaliado uma primeira vez. Durante esse período, observe se não há nenhuma infecção. Cuidado com a troca do curativo e seque bem a região antes de colocar um novo. Há formas mais modernas de curativos que não precisam sequer serem trocados.

Lembre-se que a única limitação está ligada a carregar peso e fazer esforços físicos. Sendo assim, evite passar longos períodos sentado ou deitado. Caminhe pela casa normalmente. A prática de esportes, no entanto, só deve ser feita com a autorização do médico.

Dúvidas mais comuns sobre essa cirurgia

Algumas das dúvidas mais comuns sobre a cirurgia de hérnia inguinal envolvem:

Apenas a cirurgia resolve o problema?

Sim, não há outras formas de tratamento, já que houve deslocamento de parte do conteúdo abdominal, geralmente do intestino e essa fraqueza da parede abdominal é permanente e somente tende a crescer ainda mais com o tempo.

Há complicações pós-cirúrgicas?

Os casos de complicações estão relacionados a problemas comuns a qualquer tipo de cirurgia, como soltar os pontos ou infeccionar a ferida. Em ambos os casos, é recomendado procurar um médico logo após notar algo errado na região do corte.

Há chances de reincidência da hérnia?

As chances de reincidência são bastante baixas, em torno de 4%. Como durante o procedimento é feito um reforço da parede abdominal, com o uso das telas, são raros os casos em que a hérnia volta a aparecer – a não ser que surja em outra região do corpo que não recebeu a tela.

Quem passou pela cirurgia pode ter filhos?

Sim. É possível ter filhos normalmente após a realização da cirurgia de hérnia inguinal.

Há recomendações pré-cirúrgicas?

Sim. São semelhantes àquelas dadas antes de qualquer outro procedimento cirúrgico. O paciente deverá estar em jejum no dia da cirurgia e evitar determinados tipos de medicamentos alguns dias antes. Também são solicitados exames de sangue, do coração e uma consulta com o clínico, cardiologista ou anestesista pode ser necessária.

Entender como é feita a cirurgia de hérnia inguinal ajuda a evitar dúvidas e facilita a conversa médico-paciente no consultório. Como você pôde ver, trata-se de um procedimento simples, mas importante para evitar complicações que podem ser bastante graves, principalmente quando parte do intestino saiu do lugar e ficou presa na hérnia.

Para saber mais sobre o assunto, continue a acompanhar as publicações do blog.

Artigo escrito por

Dr. Alexandre Bertoncini

Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia


O Dr. Alexandre Bertoncini é cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Possui Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP e é pesquisador com foco em oncologia e endometriose intestinal. 

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