H. pylori causam sintomas de verdade?
18 de dezembro de 2025

Compreendendo a Infecção por Helicobacter pylori

A bactéria Helicobacter pylori , mais conhecida simplesmente como H. pylori, é um microrganismo que habita o estômago de grande parte da população mundial. No Brasil, estima-se que possa estar presente entre 60 a 70% da população , ao passo que, em alguns países desenvolvidos, esse número pode ser bem mais baixo, ao redor de 5%. Este germe é notório por sua capacidade de sobreviver em um ambiente tão ácido quanto o estômago, e sua presença está associada a uma variedade de distúrbios gastrointestinais, como gastrite, úlceras pépticas e até o câncer de estômago . Apesar de ser muito conhecido pela população, muitos pacientes acreditam que haja sintomas específicos desta infecção quando na verdade os sintomas não são diferentes de outras condições gastrointestinais . Neste artigo, exploraremos a natureza dos sintomas associados ao H. pylori, como é realizado o diagnóstico, as recomendações de tratamento e a importância da confirmação da erradicação após o tratamento.


Há Sintomas Específicos da Infecção por H. pylori?

É comum o equívoco de que a infecção por H. pylori provoca sintomas específicos e distintos. No entanto, isso não é verdade. Esta infecção muitas vezes é assintomática , ou seja, não apresenta sintomas em muitas pessoas. Quando sintomas estão presentes, eles podem ser semelhantes aos de outras condições gástricas , como dispepsia, que inclui dor de estômago, empachamento após se alimentar, náuseas e eructações. É importante ressaltar que esses sintomas não são exclusivos do H. pylori . Muitas pessoas com sintomas dispépticos não possuem a infecção, enquanto outras com H. pylori não apresentam nenhum sintoma evidente.


Como é Feito o Diagnóstico da Infecção por H. pylori?

O diagnóstico do H. pylori envolve uma variedade de testes. Os métodos mais comuns incluem:

Teste de Respiratório com Ureia

Este teste não invasivo mede a presença da bactéria através dos produtos de seu metabolismo. Após ingerir uma substância contendo ureia marcada, o paciente sopra em um balão, e a presença de carbono marcado no ar exalado indica a infecção. Apesar de prático e pouco invasivo, é pouco sensível e pode ter resultado negativo mesmo na presença de bactérias.

Teste de Antígeno Nas Fezes

Um teste moderno que detecta proteínas específicas da bactéria presentes nas fezes. Mais sensível e específico que o teste respiratório, costuma ser o teste de escolha atualmente para confirmar a erradicação após o tratamento.

Endoscopia com Biopsia

Considerado o padrão-ouro (ou seja, o melhor exame que temos), envolve examinar diretamente o estômago e coletar amostras de tecido para detectar a presença da bactéria.


Tratamento Convencional para H. pylori

O tratamento do H. pylori é vital devido aos riscos associados à infecção não tratada, incluindo o desenvolvimento de úlceras gástricas e câncer gástrico . Estudos demonstraram que a infecção crônica por essa bactéria é um fator de risco significativo para o adenocarcinoma gástrico, uma das formas mais comuns de câncer do estômago. A inflamação crônica causada pelo H. pylori pode levar a alterações malignas nas células da mucosa gástrica, tornando o tratamento crucial não apenas para a melhora dos sintomas, mas principalmente para a prevenção do câncer gástrico .

Terapia Tripla e Quadrupla

O regime terapêutico usualmente inclui uma combinação de antibióticos para erradicar a bactéria e inibidores da bomba de prótons para reduzir a produção de ácido estomacal e promover a cura da mucosa gástrica. O esquema triplo consiste em dois antibióticos, geralmente claritromicina e amoxicilina , podendo ser substituído pela levofloxacina e metronidazol nos casos de alergias, intolerâncias ou resistência bacteriana prévia, juntamente com um inibidor de bomba de prótons . Já o tratamento quádruplo pode incluir adicionalmente bismuto para melhorar a erradicação da bactéria, especialmente em áreas com taxas de resistência mais altas.


A Importância do Controle Pós-Tratamento

Após a conclusão do tratamento, é crucial confirmar se a erradicação da bactéria foi bem-sucedida. Isso pode ser realizado por um teste de controle, geralmente o teste respiratório com ureia ou a pesquisa de antígeno nas fezes, entre 4 e 8 semanas após o término do tratamento antibiótico . Esse passo é essencial não só para confirmar a cura e prevenir complicações futuras, mas também para evitar a resistência aos antibióticos se a bactéria não for completamente erradicada.


Restou alguma dúvida sobre o H. pylori?

  • O que é H. pylori e como afeta o corpo?

    H. pylori é uma bactéria que coloniza o estômago, podendo causar gastrites e úlceras. Em alguns casos, está associada ao câncer gástrico.

  • Se o H. pylori nem sempre causa sintomas, como saber se estou infectado?

    Somente exames específicos, como o teste respiratório de ureia ou endoscopia, podem confirmar a infecção.

  • Por que tratar uma infecção assintomática por H. pylori?

    Embora alguns indivíduos não apresentem sintomas, tratar a infecção pode prevenir complicações severas, como úlceras e alguns tipos de câncer.

  • Quais são os riscos se o H. pylori não for tratado?

    A infecção não tratada pode levar ao desenvolvimento de úlceras no estômago e no duodeno, além de aumentar o risco de câncer gástrico.

  • O tratamento para H. pylori é eficaz?

    Sim, o tratamento combinado de antibióticos e inibidores de bomba de prótons é eficaz na erradicação da infecção em um grande número de pacientes.

  • É possível ser reinfectado por H. pylori após o tratamento?

    Embora raro, a reinfecção pode ocorrer. A manutenção de boas práticas de higiene é a melhor prevenção.


Considerações Finais

 

Entender que o H. pylori poderá não apresentar sintomas específicos é crucial para desmistificar equívocos comuns. O diagnóstico preciso e o tratamento adequado são essenciais para a saúde gastrointestinal e para prevenir complicações sérias, como o câncer gástrico, que pode decorrer da infecção crônica por esta bactéria. Em resumo, a infecção por H. pylori, embora comum e muitas vezes silenciosa, requer atenção e intervenção médicas adequadas para garantir a saúde e o bem-estar dos pacientes.


Se você precisar de uma consulta, o Dr. Alexandre Bertoncini é coloproctologista e cirurgião do aparelho digestivo com toda sua formação e doutorado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia e se utiliza das técnicas mais modernas em cirurgia robótica para o tratamento da endometriose intestinal.


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Artigo escrito por

Dr. Alexandre Bertoncini

Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia


O Dr. Alexandre Bertoncini é cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Possui Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP e é pesquisador com foco em oncologia e endometriose intestinal. 

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