Dicas para aliviar os sintomas de refluxo gastroesofágico

21 de outubro de 2026

Por Dr. Alexandre Bertoncini, cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista, CRM-SP 129589, RQE 37039, RQE 34120.


Como aliviar os sintomas de refluxo gastroesofágico?

Para aliviar os sintomas de refluxo gastroesofágico, é recomendado evitar se deitar logo após as refeições, fazer diversas refeições menores ao longo do dia e reduzir o consumo de alimentos que desencadeiam os sintomas, como frituras, café e bebidas alcoólicas. Manter um peso saudável, parar de fumar e elevar a cabeceira da cama também podem ajudar. Quando os sintomas são frequentes ou persistentes, é importante procurar avaliação médica especializada para definir o tratamento mais adequado.


Introdução


O
refluxo gastroesofágico é uma condição comum que ocorre quando o conteúdo do estômago ou do duodeno retorna para o esôfago, provocando sintomas como azia, queimação, regurgitação e desconforto após as refeições. Embora episódios ocasionais possam acontecer em qualquer pessoa, sintomas frequentes merecem atenção. Felizmente, muitas medidas simples podem ajudar a reduzir o desconforto e melhorar a qualidade de vida.


Neste artigo, você vai conhecer as principais estratégias para aliviar os sintomas do refluxo gastroesofágico, entender os fatores que favorecem o problema e descobrir quando é necessário procurar avaliação médica.
Continue a leitura para saber mais.


O que é refluxo gastroesofágico?


O refluxo gastroesofágico acontece quando o conteúdo do estômago
retorna para o esôfago de forma repetida. Esse retorno pode irritar a mucosa esofágica e provocar sintomas que variam de leves desconfortos até impactos importantes na qualidade de vida.


Embora muitas pessoas associem o problema apenas à
azia, o refluxo gastroesofágico pode se manifestar de diferentes formas e afetar até mesmo regiões fora do sistema digestivo, como garganta e vias respiratórias.


Como o refluxo acontece


Entre o esôfago e o estômago existe uma estrutura muscular responsável por impedir que o conteúdo gástrico volte para cima após a alimentação. Quando esse mecanismo
perde eficiência ou relaxa mais do que deveria, o ácido e os alimentos podem retornar ao esôfago.


Esse processo pode ocorrer ocasionalmente em qualquer pessoa. O problema surge quando os episódios se tornam frequentes e começam a causar sintomas ou lesões.


Sintomas mais comuns


Os sintomas do refluxo gastroesofágico podem variar de intensidade e frequência. Os mais comuns incluem:


  • Azia ou sensação de queimação atrás do peito, podendo chegar à garganta e até a boca
  • Retorno de alimentos ou líquido para a boca
  • Gosto amargo ou ácido na boca
  • Desconforto após as refeições
  • Sensação de estômago cheio
  • Tosse persistente
  • Rouquidão frequente
  • Irritação ou pigarro na garganta


Em alguns pacientes, os sintomas aparecem principalmente após refeições mais pesadas ou durante a noite.


Evite deitar logo após as refeições


Uma das orientações mais importantes para quem sofre com refluxo gastroesofágico é evitar deitar logo depois de comer.


Por que isso ajuda?


Quando estamos em pé ou sentados, a gravidade ajuda a manter os alimentos e os líquidos dentro do estômago. Ao deitar, essa proteção natural diminui e o conteúdo gástrico encontra
mais facilidade para retornar ao esôfago.


Isso explica por que muitas pessoas relatam piora da azia e da regurgitação durante a noite ou ao se deitarem após o jantar.


Recomendação prática


O ideal é aguardar pelo menos
duas horas após as refeições antes de deitar.


Além de ajudar a reduzir os episódios de refluxo gastroesofágico, esse hábito também favorece uma
digestão mais adequada e pode melhorar a qualidade do sono.


Faça refeições menores ao longo do dia


A quantidade de alimento consumida em cada refeição influencia diretamente os sintomas.


O problema das refeições volumosas


Quando o estômago recebe uma grande quantidade de alimento de uma só vez, ocorre um
aumento da pressão interna. Isso favorece o relaxamento da válvula que separa o estômago do esôfago e aumenta a chance de refluxo.


Muitas pessoas percebem piora dos sintomas após almoços ou jantares muito fartos.


Algumas estratégias simples podem ajudar:


  • Fazer refeições menores
  • Comer em horários regulares
  • Evitar longos períodos de jejum
  • Mastigar devagar
  • Não comer rapidamente
  • Não ingerir líquidos durante as refeições (ingerir apenas 1 hora antes ou 2 horas depois)


Essas medidas reduzem a sobrecarga sobre o sistema digestivo e ajudam a controlar os sintomas.


Identifique os alimentos que pioram os sintomas


Nem todos os pacientes reagem da mesma forma aos alimentos. Por isso,
observar os próprios sintomas é uma etapa importante do tratamento.


Entre os alimentos que costumam desencadear sintomas em algumas pessoas estão:


  • Café
  • Chocolate
  • Bebidas alcoólicas
  • Refrigerantes
  • Frituras
  • Alimentos muito gordurosos
  • Temperos picantes
  • Frutas cítricas em excesso


Isso não significa que todos esses alimentos precisam ser eliminados. O mais importante é identificar quais realmente provocam desconforto em cada pessoa.


Anotar o que foi consumido e os sintomas que surgiram posteriormente pode ajudar a identificar padrões e facilitar ajustes na alimentação.


Mantenha um peso saudável


O excesso de peso está entre os fatores que
mais contribuem para o agravamento do refluxo gastroesofágico.


Como o peso influencia


O aumento da gordura na região abdominal gera
maior pressão sobre o estômago. Isso favorece o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago e aumenta a frequência dos sintomas.


Quanto maior essa pressão, maior tende a ser a dificuldade de controlar o refluxo apenas com medicamentos. Observamos o mesmo comportamento em mulheres grávidas, especialmente mais próximo ao final do período gestacional.


Benefícios da perda de peso


A redução do peso corporal pode trazer benefícios importantes, como:


  • Menor frequência das crises
  • Redução da azia
  • Menor necessidade de medicação
  • Melhora da qualidade de vida


Mesmo perdas moderadas de peso podem gerar melhora significativa em muitos pacientes. Recomenda-se em geral que mantenha-se o IMC (índice de massa corporal) abaixo de 28 Kg/m2.


Eleve a cabeceira da cama


Quem apresenta sintomas principalmente durante a noite pode se beneficiar dessa medida simples.


A recomendação é elevar a cabeceira da cama
15 centímetros. Dessa forma, o tronco permanece levemente inclinado durante o sono.


O que evitar


Utilizar apenas vários travesseiros nem sempre resolve o problema. Em alguns casos, isso pode dobrar o corpo e aumentar a pressão abdominal.


Quando a inclinação é feita corretamente, há menor chance de o conteúdo gástrico alcançar o esôfago durante a noite.


Pare de fumar


O tabagismo está associado a diversos problemas digestivos, incluindo o refluxo gastroesofágico.


O cigarro pode:


  • Facilitar o relaxamento da válvula entre o esôfago e o estômago
  • Aumentar a irritação da mucosa digestiva
  • Reduzir mecanismos naturais de proteção do esôfago
  • Dificultar a cicatrização de lesões causadas pelo refluxo


Parar de fumar costuma trazer benefícios não apenas para o sistema digestivo, mas para a saúde cardiovascular, respiratória e geral.


Quando procurar avaliação médica?


Mudanças de hábitos podem ajudar bastante, mas existem situações em que a avaliação médica é fundamental.


Procure atendimento se houver
:


  1. Sintomas frequentes ou persistentes
  2. Dificuldade para engolir
  3. Dor ao engolir os alimentos
  4. Sensação de alimento parado no peito
  5. Perda de peso sem causa aparente
  6. Dor no peito recorrente
  7. Tosse crônica
  8. Rouquidão persistente
  9. Falta de melhora mesmo com mudanças de hábitos


Nesses casos, pode ser necessário realizar exames para avaliar o esôfago, para então identificar possíveis complicações e definir o tratamento mais adequado para a situação.


Restou alguma dúvida?


  • O refluxo gastroesofágico pode acontecer mesmo em pessoas magras?

    Sim. Embora o excesso de peso seja um fator de risco importante, pessoas com peso normal também podem desenvolver refluxo devido a fatores anatômicos, hábitos de vida ou alterações no funcionamento do sistema digestivo.


  • Quais alimentos costumam piorar o refluxo gastroesofágico?

    Os mais frequentemente associados aos sintomas incluem café, chocolate, bebidas alcoólicas, refrigerantes, frituras, alimentos gordurosos e refeições muito volumosas.


  • Beber água ajuda a melhorar o refluxo gastroesofágico?

    A água pode ajudar a aliviar temporariamente a sensação de queimação em algumas pessoas, mas não trata a causa do refluxo gastroesofágico.


  • Perder peso pode melhorar o refluxo gastroesofágico?

    Sim. O excesso de peso aumenta a pressão sobre o estômago e favorece o refluxo. A perda de peso pode reduzir significativamente a frequência e a intensidade dos sintomas.


  • Fumar piora o refluxo gastroesofágico?

    Sim. O cigarro favorece o relaxamento da válvula que impede o refluxo e pode aumentar a irritação do esôfago, agravando os sintomas.


  • O refluxo gastroesofágico pode causar tosse e rouquidão?

    Pode. O ácido que retorna ao esôfago pode irritar a garganta e as vias aéreas, causando tosse persistente, pigarro e alterações na voz.


  • Quando devo procurar um especialista por causa do refluxo gastroesofágico?

    É importante procurar avaliação médica quando os sintomas são frequentes, persistentes, interferem na qualidade de vida ou estão associados a sinais como dificuldade para engolir, perda de peso ou dor no peito.


Coloproctologista e Cirurgião do Aparelho Digestivo em SP | Dr. Alexandre Bertoncini


O refluxo gastroesofágico pode causar desconforto significativo, mas
muitas vezes pode ser controlado com mudanças simples na rotina. Evitar refeições volumosas, não se deitar após comer, manter um peso adequado e identificar alimentos desencadeantes são medidas que costumam trazer benefícios importantes. Quando os sintomas persistem ou começam a interferir na qualidade de vida, a avaliação especializada se torna fundamental para evitar complicações e definir o melhor tratamento. Compartilhe este conteúdo com outras pessoas que possam ter as mesmas dúvidas e deixe seu comentário. Será que aquela azia frequente que você considera normal não merece uma investigação mais cuidadosa?


Se você precisar de uma consulta, eu sou o
Dr. Alexandre Bertoncini, coloproctologista e cirurgião do aparelho digestivo com toda minha formação e doutorado pela Faculdade de Medicina da USP, além de ser membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia.


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Artigo escrito por

Dr. Alexandre Bertoncini

Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia


O Dr. Alexandre Bertoncini é cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Possui Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP e é pesquisador com foco em oncologia e endometriose intestinal. 

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