Esofagite: O que é, causas e como tratar

2 de setembro de 2026

Por Dr. Alexandre Bertoncini, cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista, CRM-SP 129589, RQE 37039, RQE 34120.


Introdução


A
esofagite é uma inflamação que afeta o esôfago, estrutura responsável por conduzir os alimentos da boca até o estômago. Embora muitas pessoas associem seus sintomas apenas à azia, a condição pode causar dor ao engolir, sensação de alimento parado no peito, dor no peito ou nas costas e outros desconfortos que impactam significativamente a qualidade de vida. As causas são variadas e incluem refluxo ácido, alergias, infecções e até o uso inadequado de medicamentos.


Continue a leitura
e entenda o que é a esofagite, como ela se desenvolve e quais são as opções de tratamento é fundamental para evitar complicações e preservar a saúde digestiva.


O que é esofagite?


A esofagite é uma
inflamação da camada interna do esôfago, o tubo responsável por transportar os alimentos da boca até o estômago. Essa inflamação surge quando a mucosa esofágica sofre agressões repetidas que ultrapassam sua capacidade natural de proteção e reparação.


Diferentemente do estômago, que possui mecanismos próprios para resistir ao contato com o ácido gástrico, o esôfago é mais sensível. Quando exposto frequentemente ao ácido, a substâncias irritantes, outras enzimas digestivas, medicamentos ou processos inflamatórios, pode desenvolver irritação, erosões e até lesões mais profundas.


Nos estágios iniciais, os sintomas podem ser discretos. Com o passar do tempo, porém, a inflamação tende a se tornar mais intensa, aumentando o desconforto e o risco de complicações.


Por que a esofagite merece atenção?


Muitas pessoas convivem com sintomas digestivos por meses ou anos acreditando que são apenas desconfortos passageiros. No entanto, quando a inflamação do esôfago persiste sem tratamento, ela pode provocar alterações estruturais que dificultam a alimentação e comprometem a qualidade de vida.


Entre as possíveis consequências estão:


  • Estreitamento do esôfago devido à cicatrização repetida (muito raro)
  • Feridas e erosões na mucosa
  • Sangramentos digestivos
  • Dificuldade progressiva para engolir
  • Alterações associadas ao refluxo crônico


Por isso, sintomas recorrentes como
azia frequente, sensação de alimento parado ou dor ao engolir merecem avaliação médica.


Quais são as principais causas de esofagite?


A esofagite não é uma doença única. Ela pode surgir por diferentes motivos, e identificar corretamente a causa é um dos pontos mais importantes para o sucesso do tratamento.


Esofagite por refluxo


Esta é a forma mais comum de esofagite.


Ela ocorre quando o conteúdo ácido do estômago ou do duodeno (nome dado ao início do intestino delgado onde há a presença de bile e enzimas pancreáticas)
retorna repetidamente para o esôfago, irritando sua mucosa. Quanto mais frequentes e prolongados forem os episódios de refluxo, maior tende a ser a inflamação.


Muitas vezes, a pessoa convive com azia por longos períodos sem perceber que o esôfago está sofrendo lesões progressivas.


Esofagite eosinofílica


A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória geralmente relacionada a mecanismos alérgicos.


Nessa condição, determinadas células de defesa se acumulam na parede do esôfago, provocando inflamação persistente. O quadro pode causar dificuldade para engolir, sensação de alimento preso e episódios recorrentes de impactação alimentar.


Ela pode ocorrer tanto em crianças quanto em adultos e frequentemente está associada a histórico de alergias (não necessariamente alimentares), rinite, asma ou dermatite atópica.


Esofagite causada por medicamentos


Alguns medicamentos podem provocar irritação direta na mucosa do esôfago.


Isso costuma acontecer quando os comprimidos são ingeridos com
pouca água ou quando a pessoa se deita logo após tomá-los. Nessas situações, o medicamento pode permanecer em contato prolongado com a parede esofágica, causando inflamação local.


Entre os medicamentos mais frequentemente envolvidos estão:


  • Alguns antibióticos
  • Anti-inflamatórios
  • Medicamentos para osteoporose
  • Suplementos de ferro


Pequenas mudanças de hábito durante a administração desses medicamentos costumam reduzir significativamente esse risco.


Esofagite infecciosa


Embora seja menos comum, a esofagite também pode ser causada por infecções.


Esse tipo costuma ocorrer principalmente em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, como pacientes em tratamento oncológico, transplantados ou portadores de determinadas doenças que afetam a imunidade.


Fungos, vírus e outros microrganismos podem provocar inflamação importante da mucosa esofágica, exigindo tratamento específico.


Quais são os sintomas da esofagite?


Os sintomas podem variar conforme a causa da inflamação, sua intensidade e o tempo de evolução.


Entre os sintomas mais frequentemente relatados estão:


  • Azia frequente
  • Queimação na região do peito
  • Dor ao engolir
  • Sensação de alimento parado na garganta ou no peito
  • Regurgitação
  • Desconforto após as refeições


Em muitos casos, os sintomas se confundem com os do refluxo gastroesofágico, o que torna a avaliação médica ainda mais importante.


Alguns pacientes também descrevem sensação de aperto ao engolir ou a necessidade de beber líquidos para ajudar a passagem dos alimentos.


Sinais que merecem atenção


Alguns sintomas indicam a necessidade de
investigação mais aprofundada:


  • Dificuldade progressiva para engolir
  • Perda de peso sem explicação
  • Dor intensa durante a alimentação
  • Episódios frequentes de vômito
  • Presença de sangue em vômitos ou fezes


Esses sinais podem indicar inflamações mais avançadas ou outras condições associadas que exigem avaliação especializada.


Quem tem maior risco de desenvolver esofagite?


Alguns fatores aumentam significativamente a chance de desenvolver inflamação no esôfago.


Fatores associados ao refluxo


Pessoas que apresentam refluxo frequente possuem maior risco de desenvolver esofagite, especialmente quando o quadro permanece sem tratamento adequado.


Algumas condições favorecem esse cenário:


  • Excesso de peso
  • Hérnia de hiato
  • Ingerir líquidos durante as refeições
  • Consumir balas e chicletes
  • Períodos de jejum prolongado
  • Tabagismo
  • Consumo frequente de bebidas alcoólicas
  • Alimentação rica em gorduras


Além disso, hábitos cotidianos como fazer refeições muito grandes ou deitar logo após comer também contribuem para o aparecimento da inflamação.


Outras condições associadas


Existem ainda situações que podem aumentar a predisposição à esofagite, como ter histórico de alergias alimentares, asma, rinite alérgica, doenças imunológicas e o uso frequente de determinados medicamentos.


Por isso, a investigação deve sempre considerar o contexto individual de cada paciente.


Como é feito o diagnóstico da esofagite?


O diagnóstico começa com uma conversa sobre os sintomas, sua duração, fatores desencadeantes e histórico de saúde.


Informações aparentemente simples, como a relação dos sintomas com as refeições ou a presença de dificuldade para engolir, ajudam a direcionar a investigação.


Endoscopia digestiva alta


A endoscopia é um dos exames mais importantes para confirmar a presença de esofagite.


Ela permite visualizar diretamente a mucosa do esôfago e identificar alterações como inflamação, erosões, úlceras ou estreitamentos.


Quando necessário, também podem ser coletadas pequenas amostras de tecido para análise microscópica.


Exames complementares


Dependendo da suspeita diagnóstica, outros exames podem ser solicitados para complementar a avaliação, como:


  • Impedâncio-pHmetria esofágica;
  • Manometria esofágica;
  • Exames contrastados do esôfago;
  • Exames laboratoriais;
  • Testes para investigação de alergias.


A necessidade desses exames varia conforme os sintomas e os achados iniciais.


Como tratar a esofagite?


O tratamento não deve focar apenas no alívio dos sintomas. O principal objetivo é
identificar e corrigir a causa da inflamação.


Quando a esofagite está relacionada ao refluxo ácido, por exemplo, controlar o retorno do ácido para o esôfago é uma das medidas mais importantes.


Mudanças de hábitos


Diversas medidas podem contribuir para a recuperação da mucosa e redução dos sintomas:


  • Evitar refeições muito volumosas
  • Não ingerir líquidos durante as refeições
  • Parar de consumir balas e chicletes
  • Não se deitar após comer
  • Reduzir alimentos que desencadeiam desconforto
  • Tentar se alimentar de 3 em 3 horas
  • Parar de consumir cafeína
  • Manter peso adequado
  • Parar de fumar
  • Moderar o consumo de álcool


Embora pareçam simples, essas medidas costumam ter impacto importante no controle da doença.


Tratamento medicamentoso


Dependendo da causa identificada, podem ser utilizados medicamentos que reduzem a produção de ácido, aceleradores do esvaziamento do estômago,  protetores da mucosa esofágica, medicamentos voltados para processos alérgicos e tratamentos específicos para infecções.


A escolha da abordagem deve ser individualizada e baseada nas características de cada paciente.


A esofagite tem cura?


Na maioria dos casos, a esofagite apresenta excelente resposta quando a causa é corretamente identificada e tratada.


Muitos pacientes apresentam melhora significativa dos sintomas e recuperação da mucosa
após seguir o tratamento recomendado.


No entanto, algumas condições exigem acompanhamento prolongado para evitar recorrências e monitorar a evolução ao longo do tempo. Estima-se que cerca de 30% das pessoas tenham sintomas crônicos e precisarão conviver com o controle dessas manifestações de forma contínua.


Como prevenir a esofagite?


A prevenção envolve principalmente a redução dos fatores que favorecem a inflamação do esôfago.


Medidas que ajudam a proteger o esôfago:


  1. Manter peso saudável
  2. Evitar tabagismo
  3. Moderar o consumo de álcool
  4. Mastigar bem os alimentos
  5. Evitar refeições muito volumosas
  6. Ingerir medicamentos com quantidade adequada de água
  7. Evitar deitar logo após as refeições
  8. Fazer pequenas refeições frequentes
  9. Evitar balas e chicletes


Esses cuidados contribuem não apenas para prevenir a esofagite, mas também para
melhorar a saúde digestiva como um todo.


Atenção aos sintomas persistentes


Um dos erros mais comuns é considerar a azia frequente algo normal. Sintomas recorrentes devem ser investigados, principalmente quando começam a interferir na alimentação ou na qualidade de vida.


Quanto mais cedo a esofagite for identificada, maiores são as chances de controlar a inflamação e evitar complicações futuras.


Restou alguma dúvida?


  • O que é esofagite?

    A esofagite é uma inflamação da mucosa do esôfago, o tubo que leva os alimentos da boca ao estômago. Ela pode causar sintomas como azia, dor ao engolir e sensação de alimento parado.


  • Esofagite e refluxo são a mesma coisa?

    Não. O refluxo é uma das principais causas de esofagite. A esofagite é a inflamação do esôfago que pode surgir quando o refluxo ocorre de forma frequente e prolongada.


  • Quais são os sintomas mais comuns da esofagite?

    Os sintomas mais frequentes são azia, queimação no peito, dor ao engolir, regurgitação, sensação de alimento preso e desconforto após as refeições.


  • Azia frequente significa esofagite sempre?

    Não. A azia é um sintoma comum do refluxo gastroesofágico, mas nem toda pessoa com azia desenvolve esofagite. Da mesma forma, algumas pessoas podem ter inflamação no esôfago e apresentar poucos sintomas.


  • É possível ter esofagite sem sentir queimação?

    Sim. Algumas pessoas apresentam principalmente dificuldade para engolir, sensação de alimento preso, tosse persistente ou desconforto na garganta, sem a azia clássica. E há pessoas que apresentam esofagite sem nenhum outro sintoma associado!


  • A esofagite pode causar dificuldade para engolir?

    Sim. Dependendo da intensidade da inflamação, a esofagite pode provocar sensação de alimento parado ou dificuldade progressiva para engolir alimentos sólidos e líquidos.


  • Quais medicamentos podem causar esofagite?

    Alguns antibióticos, anti-inflamatórios, corticóides, suplementos de ferro e medicamentos para osteoporose podem irritar o esôfago, principalmente quando ingeridos com pouca água ou antes de deitar.


  • Como é feito o diagnóstico da esofagite?

    O diagnóstico é baseado na avaliação dos sintomas e pode incluir exames como a endoscopia digestiva alta, que permite visualizar diretamente a mucosa do esôfago.

  • A esofagite tem cura?

    Na maioria dos casos, sim. Quando a causa é identificada e tratada corretamente, a inflamação costuma melhorar e os sintomas podem desaparecer.

  • A melhora dos sintomas significa que a esofagite desapareceu completamente?

    Nem sempre. Em alguns casos, os sintomas melhoram antes da recuperação total da mucosa. Por isso, o acompanhamento médico e o tratamento adequado continuam sendo importantes mesmo após a melhora clínica.


  • Quando devo procurar um especialista?

    É importante buscar avaliação médica quando houver azia frequente, dor ao engolir, sensação de alimento parado, perda de peso sem explicação ou sintomas que persistem por várias semanas.



Coloproctologista e Cirurgião do Aparelho Digestivo em SP | Dr. Alexandre Bertoncini


A esofagite é uma inflamação do esôfago que pode ter diferentes causas, sendo o refluxo gastroesofágico uma das mais frequentes. Embora os sintomas muitas vezes sejam confundidos com desconfortos digestivos comuns,
a persistência da azia, da dor ao engolir ou da sensação de alimento parado merece investigação. O diagnóstico correto permite identificar a origem do problema e direcionar o tratamento mais adequado para cada situação. Se você apresenta sintomas recorrentes, buscar avaliação especializada pode ser um passo importante para entender melhor o que está acontecendo e cuidar da sua saúde digestiva. Compartilhe este conteúdo com quem pode se beneficiar dessas informações e deixe seu comentário. Será que aqueles sintomas que você considera normais não merecem uma avaliação mais detalhada?


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Dr. Alexandre Bertoncini, coloproctologista e cirurgião do aparelho digestivo com toda minha formação e doutorado pela Faculdade de Medicina da USP, além de ser membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia.


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Artigo escrito por

Dr. Alexandre Bertoncini

Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia


O Dr. Alexandre Bertoncini é cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Possui Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP e é pesquisador com foco em oncologia e endometriose intestinal. 

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