O que é megaesôfago e como tratar?
30 de agosto de 2022

Você sabe o que é megaesôfago e como essa condição pode limitar a sua qualidade de vida?


Neste post, vamos explicar como essa dilatação que ocorre no esôfago é causado, quais são os sintomas e os meios de intervenção para resolver o problema.


Siga então esta leitura e aprenda tudo sobre o assunto!


Entenda o que é megaesôfogo


O megaesôfago se caracteriza pela dilatação do esôfago, causado por uma disfunção na inervação deste órgão que compromete a musculatura e problemas na parte final deste órgão (localizada na passagem do esôfago para o estômago), chamado também de acalasia que é a dificuldade na abertura da passagem do esôfago para o estômago.


O que acontece, em grande parte dos casos, é que essa disfunção tende a reter alimentos e também líquidos (a saliva, inclusive) dentro do esôfago sem que esses cheguem até o estômago. E, apesar do que comumente se pensa, não são os alimentos e líquidos retidos no esôfago que são os responsáveis pelo alargamento do esôfago, mas sim a perda da força da parede muscular deste órgão.


Quais os sintomas?


No geral, é possível experimentar ampla dificuldade para engolir, uma condição que progride de maneira lenta e que torna o desconforto cada vez pior com a sensação de entalamento ou impactação dos alimentos, inclusive líquidos e saliva nos casos mais avançados. Assim, é comum que o paciente ingira muita água para que o líquido ajude a "empurrar" os alimentos para o estômago e com isso o peso vença a resistência criada pela válvula de passagem entre o estômago e o esôfago. Até por isso, as pessoas sentem medo de se alimentar e a perda de peso é frequentemente observada em pacientes com megaesôfago. Essa perda de peso é progressiva e lenta uma vez que os alimentos passam com dificuldade para dentro do estômago para nutrir o paciente. 


Outros sintomas bastante comuns são a sensação de azia e regurgitação, com sensação de queimação atrás do peito e que pode voltar até a garganta e boca, acompanhado em alguns casos com sensação de afogamento e tosse também, especialmente quando o paciente se deita, o que muitas vezes pode inclusive confundir o médico e trazer a suspeita para um quadro de doença do refluxo ao invés do megaesôfago.


Por fim, pode ocorrer ainda casos de anemia e até mesmo pneumonia aspirativa que é a pneumonia que ocorre quando resíduos alimentares acabam atingindo os pulmões gerando quadros de infecção pulmonar.


Alguns pacientes, com a evolução da doença acabam sentindo-se mais confortáveis dormindo sentados ou praticamente sentados para reduzir a sensação de voltar os alimentos à boca e os engasgos que podem ocorrer associados.


O que pode causar?


Causas congênitas e doenças como a esclerodermia (endurecimento da pele e dos órgãos) podem ser responsáveis pelo surgimento do megaesôfago em pacientes.


Mas, classicamente e ainda muito frequente no Brasil, o fator mais associado com essa condição é a Doença de Chagas — ainda cria incidências de casos.


Como tratar megaesôfago?


O primeiro passo para identificar a condição é por meio de uma endoscopia para descartar outras causas mais graves como câncer do esôfago, mas que também pode trazer sinais diretos e indiretos para a suspeita do megaesôfago, como a dilatação da musculatura associada.


No entanto, os principais exames e que não podem faltar são a manometria esofágica e o exame contrastado do esôfago. A manometria esofágica vai demonstrar o funcionamento da válvula de passagem entre o esôfago e o estômago, além da capacidade de contração de todo o órgão para empurrar o alimento até o estômago. Já o exame contrastado do esôfago vai demonstrar a dilatação do órgão, o estreitamento da passagem para o estômago, sinais indiretos da fraqueza progressiva do músculo do esôfago e até um desvio do eixo do órgão com seu desvio lateral nos casos mais avançados.


Em seguida, são indicados os meios de tratamento, são eles:


  • Dilatação endoscópica da cárdia, feita via endoscopia com o auxílio de aparelhos e sondas para o alargamento da região de passagem para o estômago.

  • Cardiomiotomia laparoscópica, que é um meio de operação por via laparoscópica ou robótica — são realizadas pequenas incisões na barriga e a cirurgia é realizada com utilização de câmeras e pinças pequenas, com ou sem o auxílio do robô - na qual se realiza a abertura da passagem para o estômago e a confecção de um sistema que reduza o excesso de refluxo do estômago para o esôfago uma vez que a passagem esteja completamente aberta.


Mas a intervenção cirúrgica costuma ser a ação mais eficiente para tratar esse problema. Trata-se de uma necessidade especialmente em casos nos quais o paciente enfrenta enorme dificuldade para ingerir alimentos e a perda de peso importante já é observada.


E assim como tantas outras causas, vale destacar que quanto antes diagnosticado, mais assertivo é o tratamento.


Procure um profissional


Assim como destacamos a importância do reconhecimento precoce, vale reforçar o quanto a sua atenção é de suma importância para a eficácia do tratamento.



Por isso, fique de olho nos sintomas do seu corpo, e ao identificá-los busque auxílio de um profissional qualificado.

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Artigo escrito por

Dr. Alexandre Bertoncini

Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia


O Dr. Alexandre Bertoncini é cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Possui Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP e é pesquisador com foco em oncologia e endometriose intestinal. 

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