
O refluxo laringofaríngeo costuma causar sintomas como rouquidão, pigarro frequente, tosse seca, sensação de algo preso na garganta e irritação persistente, muitas vezes sem azia. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e na avaliação médica, podendo incluir exames como laringoscopia ou pHmetria (ou impedâncio-pHmetria) de 24h. O tratamento envolve mudanças de hábitos, como ajuste alimentar e evitar deitar após as refeições, além de medicações para reduzir a acidez. Em casos específicos, pode ser indicada abordagem cirúrgica.
Introdução
O
refluxo laringofaríngeo
é uma condição frequentemente subdiagnosticada, que pode causar sintomas persistentes na garganta e na voz sem apresentar os sinais clássicos de azia. Como um agravante do refluxo gastroesofágico tradicional, ele afeta principalmente a laringe e a faringe, gerando desconfortos que muitas vezes são confundidos com alergias ou infecções recorrentes.
Continue a leitura
e entenda neste artigo o que é o refluxo laringofaríngeo, quais são seus principais sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento mais eficazes.
O que é refluxo laringofaríngeo
O refluxo laringofaríngeo acontece quando o conteúdo do estômago e/ou duodeno
sobe
além do esôfago e atinge regiões mais altas, como a laringe e a faringe. Essas estruturas são mais sensíveis, por isso mesmo pequenas quantidades de refluxo podem causar sintomas.
Diferença para o refluxo comum
Diferente do refluxo gastroesofágico, que costuma causar queimação no peito, o refluxo laringofaríngeo
nem sempre provoca a sensação de queimação alta (azia). Por isso, muitas vezes passa despercebido ou é confundido com outros problemas.
O que acontece no organismo
Quando o conteúdo gástrico retorna, ele
pode conter ácido e/ou enzimas digestivas
que irritam a mucosa da garganta. Com o tempo, essa irritação leva a inflamação e aos sintomas característicos.
Esse tipo de refluxo é frequentemente chamado de
refluxo silencioso ou sintomas atípicos da doença do refluxo gastroesofágico, justamente porque nem sempre apresenta sinais típicos.
Principais sintomas do refluxo laringofaríngeo
Os sintomas costumam ser contínuos e, muitas vezes, confundidos com alergias, infecções ou problemas na voz.
Sintomas mais comuns:
- Sensação de algo preso na garganta
- Rouquidão frequente
- Tosse seca persistente
- Pigarro constante
- Irritação ou dor na garganta
- Dificuldade para engolir
- Dores de ouvido
Sintomas menos evidentes:
- Mudanças na voz ao longo do dia
- Sensação de garganta seca
- Episódios de engasgo
A ausência de azia é comum, o que pode atrasar a identificação do problema.
Por que o refluxo laringofaríngeo acontece
O refluxo laringofaríngeo está relacionado ao
mau funcionamento dos mecanismos que impedem o retorno do conteúdo do estômago.
Principais fatores envolvidos:
- Relaxamento das válvulas que separam o estômago do esôfago
- Aumento da pressão dentro do abdômen
- Alimentação inadequada
- Excesso de peso
- Estresse
- Deitar-se logo após se alimentar
Dentro os
hábitos
que favorecem o refluxo estão deitar logo após comer; o consumo frequente de café (e cafeínas em geral), álcool e alimentos gordurosos; além disso, fazer refeições grandes e/ou com ingesta de líquidos durante a refeição, principalmente à noite.
Essas situações facilitam o contato do conteúdo gástrico com a garganta, levando à
irritação progressiva.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do refluxo laringofaríngeo depende da avaliação clínica e da análise dos sintomas.
O médico investiga o histórico do paciente e identifica padrões compatíveis com refluxo.
Enquanto os exames que podem ser utilizados são:
- Laringoscopia para observar sinais de inflamação diretamente na laringe;
- impedâncio-pHmetria para avaliar episódios de refluxo;
- Endoscopia digestiva alta para análise visual do trato digestivo.
Não existe um único exame que confirme o diagnóstico de forma isolada. A interpretação conjunta dos achados é fundamental.
Quando suspeitar de refluxo laringofaríngeo
Como os sintomas nem sempre são claros,
é importante ficar atento a sinais persistentes.
Situações que merecem atenção
- Rouquidão que não melhora com o tempo
- Tosse seca sem causa definida
- Irritação constante na garganta
- Falta de melhora com tratamentos para alergias
Quando esses sintomas permanecem por semanas, é importante investigar a possibilidade de refluxo laringofaríngeo.
Tratamento do refluxo laringofaríngeo
O tratamento envolve uma
combinação
de mudanças no estilo de vida e, quando necessário, uso de medicamentos.
Alguns ajustes no dia a dia são recomendados como evitar deitar após as refeições, reduzir alimentos ácidos e gordurosos, fazer refeições menores ao longo do dia, e elevar a cabeceira da cama, evitar balas e chicletes.
Enquanto que no tratamento medicamentoso pode envolver medicamentos para
reduzir a acidez do estômago e remédios que ajudam no
esvaziamento gástrico.
E o tempo de tratamento?
O tratamento costuma ser mais prolongado, podendo levar
semanas ou meses
até melhora significativa dos sintomas.
Quando a cirurgia pode ser necessária
A cirurgia é considerada em situações específicas, principalmente quando o tratamento clínico não traz resultados adequados.
Indicações:
- Sintomas persistentes apesar do tratamento correto
- Complicações associadas ao refluxo
- Impacto importante na qualidade de vida
O objetivo do procedimento é
reforçar o mecanismo
natural
que impede o retorno do conteúdo gástrico, mas não está indicada para todos os pacientes.
Possíveis complicações se não tratado
Quando não tratado, o refluxo laringofaríngeo pode levar a
alterações progressivas
na região da garganta.
Dentre as complicações mais comuns estão inflamação crônica da laringe, rouquidão persistente, lesões nas cordas vocais e sensibilidade aumentada das vias aéreas, podendo chegar inclusive a lesões orais e dentárias.
Essas alterações podem interferir na comunicação e no conforto no dia a dia.
Como prevenir o refluxo laringofaríngeo
A prevenção está diretamente ligada ao
controle dos fatores que favorecem o refluxo.
Lembre-se de seguir as seguintes medidas práticas:
- Manter uma alimentação equilibrada
- Evitar refeições pesadas à noite
- Controlar o peso corporal
- Reduzir o consumo de álcool e cafeína
- Evitar o consumo de líquidos junto das refeições
- Evitar de se alimentar e deitar em seguida
Essas atitudes ajudam a diminuir a frequência dos episódios e a proteger a região da garganta contra irritações recorrentes.
Restou alguma dúvida?
O que é refluxo laringofaríngeo e como ele difere do refluxo comum?
O refluxo laringofaríngeo ocorre quando o conteúdo do estômago e/ou duodeno atinge a laringe e a faringe. Diferente do refluxo gastroesofágico habitual, ele nem sempre causa azia, sendo mais associado a sintomas na garganta e na voz.
O refluxo laringofaríngeo pode acontecer mesmo sem problemas no estômago?
Sim. Muitas pessoas não têm sintomas digestivos clássicos e ainda assim apresentam refluxo que atinge a garganta. O problema pode estar mais relacionado ao funcionamento das válvulas do que ao estômago em si.
Quais são os principais sintomas do refluxo laringofaríngeo?
Os sintomas mais comuns incluem rouquidão, tosse seca persistente, pigarro frequente, sensação de algo preso na garganta e irritação. Muitas vezes, são confundidos com alergias ou infecções.
Refluxo laringofaríngeo pode afetar a voz?
Sim. A irritação constante da laringe pode causar rouquidão, fadiga vocal e alterações na qualidade da voz ao longo do dia.
É possível ter refluxo laringofaríngeo sem azia?
Sim. Esse é um dos principais motivos de atraso no diagnóstico. O refluxo laringofaríngeo pode ocorrer sem qualquer sensação de queimação no peito.
Por que o refluxo laringofaríngeo piora à noite ou ao acordar?
Durante a noite, ao deitar, o conteúdo do estômago e/ou duodeno tem mais facilidade de subir. Além disso, há menor produção de saliva, o que reduz a proteção natural da mucosa da garganta.
Quais alimentos pioram o refluxo laringofaríngeo?
Alimentos gordurosos, ácidos, café/cafeínas em geral, chocolate, bebidas alcoólicas e refeições volumosas, principalmente à noite, podem agravar os sintomas.
Refluxo laringofaríngeo tem cura?
Sim, na maioria dos casos é possível controlar os sintomas com mudanças de hábitos e uso de medicação adequada. O acompanhamento médico é fundamental para bons resultados.
Quanto tempo leva para melhorar o refluxo laringofaríngeo?
O tratamento pode levar algumas semanas a meses. A melhora costuma ser gradual e depende da adesão às orientações médicas e mudanças no estilo de vida.
Quando devo procurar um especialista?
É importante buscar avaliação médica com um cirurgião do aparelho digestivo quando há sintomas persistentes como rouquidão, tosse crônica ou irritação na garganta por semanas, especialmente sem causa aparente.
Cirurgião do Aparelho Digestivo em SP | Dr. Alexandre Bertoncini
O refluxo laringofaríngeo é uma condição comum, mas muitas vezes pouco reconhecida, justamente por não apresentar sintomas clássicos como a azia. Ao longo deste conteúdo, você viu que sinais como rouquidão persistente, tosse seca e irritação na garganta podem estar relacionados a esse tipo de refluxo.
O diagnóstico adequado e o tratamento direcionado são fundamentais para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida. Se você apresenta sintomas frequentes, não ignore os sinais e procure avaliação especializada. Entender o que está por trás dos sintomas é o primeiro passo para um tratamento eficaz.
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Dr. Alexandre Bertoncini é coloproctologista e cirurgião do aparelho digestivo com toda sua
formação e doutorado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia.
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Artigo escrito por
Dr. Alexandre Bertoncini
Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia
O Dr. Alexandre Bertoncini é cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Possui Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP e é pesquisador com foco em oncologia e endometriose intestinal.





