Acalasia: Compreendendo Sintomas, Diagnóstico e Tratamentos Avançados
28 de janeiro de 2026

Introdução

A acalasia é uma doença esofágica rara e incapacitante que afeta a capacidade do esôfago de mover alimentos em direção ao estômago . Apesar de relativamente rara, com uma prevalência estimada de 10 a 15 casos por 100.000 habitantes, ela exige atenção devido às difíceis implicações para a saúde do paciente e qualidade de vida. Este artigo oferece uma visão detalhada sobre a condição, suas causas, manifestações clínicas e opções de tratamento mais modernas.


Definição

A acalasia é caracterizada pela disfunção do esfíncter esofágico inferior (EEI) e ausência de peristalse esofágica , que são movimentos que impulsionam o alimento pelo esôfago. Essa disfunção resulta de um dano progressivo aos neurônios da parede esofágica , impedindo a adequada abertura do EEI e causando acúmulo de alimentos no esôfago . O termo "acalasia" deriva do grego e significa "incapacidade de relaxar".

As implicações disso podem ser sérias, levando a sintomas como a dificuldade em engolir, dor torácica e regurgitação de alimentos não digeridos . Anatomicamente, além do aumento de tamanho do esôfago devido à distensão crônica, muitas vezes se observa a perda do tônus muscular esofágico.


Causas e Epidemiologia no Brasil

Embora a causa exata do dano neuronal na acalasia ainda não esteja totalmente elucidada, acredita-se que fatores autoimunes e infecciosos possam estar envolvidos. No Brasil, a doença de Chagas é uma causa significativa de acalasia devido ao dano que o Trypanosoma cruzi pode causar aos neurônios esofágicos. Considerando a endemia da doença de Chagas em partes do Brasil, é importante o reconhecimento dos sintomas e diagnóstico diferencial correto para acalasia nas regiões afetadas.


Quadro Clínico e Evolução Natural

Os sintomas clássicos da acalasia incluem disfagia (dificuldade para engolir) para sólidos e líquidos, regurgitação, dor torácica e perda lenta de peso . Com o tempo, a falta de tratamento pode levar a complicações graves, incluindo o megaesôfago , onde o esôfago se dilata significativamente, aumentando o risco de aspiração e subsequente pneumonia .

A progressão da doença sem tratamento geralmente piora os sintomas , levando a uma deterioração constante na qualidade de vida do paciente. A identificação precoce pode melhorar significativamente o prognóstico e as opções de manejo terapêutico.


Diagnóstico: Manometria, Endoscopia e Exames de Imagem

O diagnóstico de acalasia é confirmado por meio de exames específicos. A manometria esofágica é o exame padrão-ouro , medindo a pressão esofágica e a função do EEI. A endoscopia digestiva alta é usada para descartar malignidade e outras causas de obstrução esofágica. Radiografias com contraste , ou esofagogramas, podem mostrar o esôfago dilatado e a clássica aparência em "bico de pássaro" na junção esofagogástrica.

Esses exames oferecem uma avaliação abrangente e ajudam a descartar outras doenças que podem imitar os sintomas da acalasia , garantindo um diagnóstico preciso e um melhor direcionamento do tratamento.


Tratamento: Abordagem Clínica, Endoscópica e Cirúrgica

O tratamento da acalasia visa aliviar os sintomas e melhorar a capacidade de deglutição do paciente. As abordagens incluem terapias medicamentosas , como inibidores dos canais de cálcio e nitratos, que apresentam eficácia limitada . Tratamentos endoscópicos, como a dilatação pneumática, podem oferecer alívio temporário . A injeção de toxina botulínica no EEI é outra opção, embora seu efeito também seja geralmente de curta duração .


Tratamento Cirúrgico

As intervenções cirúrgicas são frequentemente necessárias e incluem procedimentos minimamente invasivos, como a miotomia de Heller laparoscópica ou robótica e a Miotomia Esofágica Peroral (POEM) . Estes procedimentos permitem a divisão do músculo esofágico, aliviando a obstrução sem a necessidade de cirurgias abertas convencionais.

A cirurgia assistida por robótica disponibiliza uma abordagem ainda mais precisa e controlada, resultando em menores taxas de complicações, dor reduzida no pós-operatório e uma recuperação mais rápida. Tais técnicas são recomendadas especialmente para pacientes que não responderam a outras formas de tratamento e oferecem melhores resultados a longo prazo .


Cuidados Pós-Operatório

O gerenciamento pós-cirúrgico da acalasia é crucial para o sucesso do tratamento. Habitualmente inclui internação hospitalar de 24 horas após a cirurgia para monitoramento, seguido de uma dieta líquida por aproximadamente uma semana, progredindo para alimentos cremosos nas duas semanas seguintes. Analgésicos simples frequentemente são suficientes para controlar a dor por um período de 3 a 5 dias.

O retorno ao trabalho pode ser quase imediato para atividades sedentárias, enquanto exercícios físicos mais intensos devem ser evitados por até 2 a 4 semanas. Esse planejamento cuidadoso facilita a recuperação rápida e mantém as complicações ao mínimo.


Complicações e Prognóstico

Embora as técnicas modernas tenham melhorado significativamente os resultados do tratamento da acalasia, as complicações ainda podem ocorrer, incluindo perfuração esofágica durante procedimentos de intervenção endoscópica, refluxo gastroesofágico, ou a necessidade de reintervenção.

O prognóstico da acalasia tratada cirurgicamente é geralmente bom , com muitos pacientes experimentando alívio significativo dos sintomas e uma melhoria notável na qualidade de vida . A longo prazo, o monitoramento regular é essencial para detectar e gerenciar quaisquer recorrências ou complicações.


Ainda restou alguma dúvida?

  • O que é acalasia?

    A acalasia é uma condição caracterizada pela falha do esfíncter esofágico inferior em relaxar adequadamente, resultando em dificuldade para engolir.

  • Quais são as causas e prevalência no Brasil?

    No Brasil, a doença de Chagas é uma causa significativa de acalasia, além de outras causas idiopáticas de prevalência em torno de 10 a 15 casos por 100.000 habitantes.

  • Como progride se não tratada?

    Sem tratamento, a acalasia pode levar a complicações graves, como megaesôfago e risco de aspiração pulmonar.

  • Quais exames confirmam o diagnóstico?

    A manometria esofágica, endoscopia digestiva alta e radiografias contrastadas são os exames principais para o diagnóstico de acalasia.

  • Quais opções terapêuticas e quando indicar cirurgia?

    As opções incluem além do tratamento clínico, a dilatação pneumática endoscópica e a miotomia de Heller, indicadas quando os sintomas são significativos e refratários a terapias menos invasivas.

  • Como é a recuperação e impacto na rotina?

    A recuperação costuma ser rápida após tratamento minimamente invasivo, com retorno ao trabalho imediato e retomada de atividades físicas em poucas semanas.


Conclusão

 

A acalasia, sendo uma condição esofágica que pode ser incapacitante , requer diagnóstico preciso e tratamento oportuno para evitar complicações graves . Com os avanços em técnicas minimamente invasivas e cirurgia robótica, o tratamento da acalasia tornou-se mais eficaz, permitindo uma recuperação rápida e melhoria significativa na qualidade de vida dos pacientes. A consulta com um especialista experiente , sobretudo em grandes centros como São Paulo, pode proporcionar o melhor direcionamento terapêutico individualizado para cada paciente.




Se você precisar de uma consulta, o Dr. Alexandre Bertoncini é coloproctologista e cirurgião do aparelho digestivo com toda sua formação e doutorado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia e está preparado para lhe acolher e conduzir seu tratamento, nos casos em que os sintomas persitam por mais de 48h ou se quiser manter a sua saúde em dia e um especialista seja necessário.



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Artigo escrito por

Dr. Alexandre Bertoncini

Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia


O Dr. Alexandre Bertoncini é cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista formado pela Faculdade de Medicina da USP, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e associado à Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Possui Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP e é pesquisador com foco em oncologia e endometriose intestinal. 

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